{"id":6607,"date":"2026-05-07T19:57:36","date_gmt":"2026-05-07T19:57:36","guid":{"rendered":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/?p=6607"},"modified":"2026-08-18T16:27:54","modified_gmt":"2026-08-18T16:27:54","slug":"cancer-colorretal-em-jovens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/saude-digestiva\/cancer-colorretal-em-jovens\/","title":{"rendered":"Bact\u00e9rias Intestinais e C\u00e2ncer Colorretal em Jovens: O que um estudo hist\u00f3rico na Nature acabou de revelar"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das perguntas que mais me inquietam como Coloproctologista, e que tamb\u00e9m preocupa crescentemente a comunidade cient\u00edfica global, \u00e9: por que o c\u00e2ncer colorretal est\u00e1 aumentando em adultos jovens? Por d\u00e9cadas, esse tumor foi tratado como doen\u00e7a de pessoas acima dos 60 ou 70 anos. Hoje, esse perfil mudou de forma alarmante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos 20 anos, a incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos dobrou em diversos pa\u00edses. Nos Estados Unidos, j\u00e1 representa um em cada cinco novos diagn\u00f3sticos da doen\u00e7a \u2014 um aumento de 11% nessa faixa et\u00e1ria em duas d\u00e9cadas. No Brasil, os dados do INCA apontam tend\u00eancia semelhante, com diagn\u00f3sticos cada vez mais frequentes em adultos entre 30 e 49 anos. E o pior: muitos chegam j\u00e1 em est\u00e1gio avan\u00e7ado, justamente porque nem os pr\u00f3prios pacientes nem os profissionais de sa\u00fade associam sintomas como sangramento retal ou dor abdominal persistente a c\u00e2ncer em pessoas jovens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora, um estudo publicado em abril de 2025 na revista <em>Nature<\/em>, o peri\u00f3dico cient\u00edfico mais influente do mundo, oferece uma das respostas mais concretas e perturbadoras que j\u00e1 tivemos para essa quest\u00e3o: uma toxina produzida por bact\u00e9rias intestinais comuns, chamada <strong>colibactina<\/strong>, pode estar deixando uma &#8220;marca gen\u00e9tica&#8221; permanente no intestino de crian\u00e7as, acelerando em d\u00e9cadas o desenvolvimento do c\u00e2ncer colorretal.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-u2ibj\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-u2ibj \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-u2ibj button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-u2ibj\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">O Estudo: 981 Genomas, 11 Pa\u00edses, 4 Continentes \u2014 incluindo o Brasil<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa, liderada pelo professor Ludmil Alexandrov da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego e coordenada internacionalmente pela Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa em C\u00e2ncer (IARC\/OMS), analisou o sequenciamento completo do genoma de <strong>981 tumores colorretais<\/strong> de pacientes em <strong>11 pa\u00edses de 4 continentes<\/strong>, dentro do projeto Mutographs Cancer Grand Challenge.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil foi um dos pa\u00edses participantes, com pesquisadores brasileiros entre os autores do estudo \u2014 profissionais do A.C.Camargo Cancer Center e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, al\u00e9m de pesquisadores ligados ao Hospital de Amor (Barretos) e \u00e0 PUCRS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O objetivo inicial era entender porque as taxas de c\u00e2ncer colorretal variam tanto entre diferentes pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo. O que os pesquisadores encontraram, entretanto, foi muito al\u00e9m disso; e mudou a forma como entendemos o c\u00e2ncer colorretal de in\u00edcio precoce.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-23ya0\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-23ya0 \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-23ya0 button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-23ya0\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">O que \u00e9 a Colibactina \u2014 e por que ela \u00e9 perigosa<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A colibactina \u00e9 uma <strong>genotoxina<\/strong>. Isto \u00e9, uma subst\u00e2ncia capaz de causar danos diretamente ao DNA das c\u00e9lulas. Ela \u00e9 produzida por cepas de <em>Escherichia coli<\/em> e outras bact\u00e9rias que carregam uma regi\u00e3o espec\u00edfica do genoma bacteriano chamada <strong>ilha de patogenicidade <\/strong><strong><em>pks<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas bact\u00e9rias habitam naturalmente o intestino humano. Estimativas indicam que <strong>20 a 30% da popula\u00e7\u00e3o<\/strong> abriga cepas produtoras de colibactina no microbioma intestinal; e a maioria das pessoas n\u00e3o sabe disso, pois n\u00e3o provoca sintomas diretos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mecanismo de dano \u00e9 sutil e acumulativo: ao colonizar o epit\u00e9lio do c\u00f3lon, essas bact\u00e9rias produzem colibactina, que ataca o DNA das c\u00e9lulas do revestimento intestinal e gera <strong>muta\u00e7\u00f5es caracter\u00edsticas<\/strong> \u2014 as chamadas &#8220;assinaturas mutacionais&#8221; SBS88 e ID18.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo da <em>Nature<\/em> utilizou sequenciamento completo do genoma para identificar essas assinaturas nos tumores dos pacientes. Assim como a fuma\u00e7a do cigarro deixa um padr\u00e3o espec\u00edfico de muta\u00e7\u00f5es no pulm\u00e3o de quem fuma, a colibactina deixa uma impress\u00e3o gen\u00e9tica \u00fanica no c\u00f3lon; e essa impress\u00e3o foi encontrada em propor\u00e7\u00e3o muito maior nos tumores de pacientes jovens.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-sndvr\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-sndvr \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-sndvr button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-sndvr\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">O achado central: exposi\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia, c\u00e2ncer na juventude<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta mais impactante do estudo \u00e9 sobre o <strong>momento<\/strong> em que essas muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o geradas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise do &#8220;registro arqueol\u00f3gico&#8221; do DNA tumoral, que permite estimar quando determinadas muta\u00e7\u00f5es ocorreram ao longo da vida de um indiv\u00edduo, indicou que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 colibactina acontece predominantemente <strong>antes dos 10 anos de idade<\/strong>. \u00c9 no intestino da crian\u00e7a que a toxina atua com maior for\u00e7a, deixando marcas gen\u00e9ticas que permanecer\u00e3o nas c\u00e9lulas por toda a vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse &#8220;golpe precoce&#8221; no DNA intestinal parece colocar o organismo de 20 a 30 anos \u00e0 frente no processo de carcinog\u00eanese. Em vez de desenvolver c\u00e2ncer colorretal aos 65 ou 70 anos, que seria o curso esperado para algu\u00e9m com muta\u00e7\u00f5es acumuladas ao longo da vida, essas pessoas chegam ao tumor j\u00e1 aos 35 ou 45 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados s\u00e3o contundentes: as assinaturas colibactina (SBS88 e ID18) foram encontradas <strong>3,3 vezes mais frequentemente<\/strong> em pacientes diagnosticados com c\u00e2ncer colorretal antes dos 40 anos do que naqueles diagnosticados ap\u00f3s os 70. E quanto mais jovem o paciente ao diagn\u00f3stico, maior a preval\u00eancia dessas assinaturas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o estudo mostrou que a colibactina atua como um <strong>evento precoce no desenvolvimento do tumor<\/strong>: as muta\u00e7\u00f5es por ela induzidas se encontram predominantemente nas c\u00e9lulas fundadoras do c\u00e2ncer, e n\u00e3o nas c\u00e9lulas que surgem posteriormente durante a progress\u00e3o tumoral. Isso confirma que a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 toxina precede e, possivelmente, impulsiona todo o processo de carcinog\u00eanese.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-6zf3f\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-6zf3f \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-6zf3f button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-6zf3f\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">A liga\u00e7\u00e3o com o gene APC e a progress\u00e3o para o c\u00e2ncer<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos mecanismos pelo qual a colibactina pode contribuir para o desenvolvimento do c\u00e2ncer colorretal envolve o gene <strong>APC<\/strong> (<em>adenomatous polyposis coli<\/em>), um dos principais genes supressores tumorais do c\u00f3lon. Muta\u00e7\u00f5es no APC s\u00e3o um dos eventos mais precoces e caracter\u00edsticos no desenvolvimento do c\u00e2ncer colorretal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo demonstrou que a assinatura mutacional ID18, gerada pela colibactina, \u00e9 respons\u00e1vel por aproximadamente <strong>25% das muta\u00e7\u00f5es de inser\u00e7\u00e3o\/dele\u00e7\u00e3o no gene APC<\/strong> em pacientes colibactina-positivos. Como as muta\u00e7\u00f5es no APC ocorrem tipicamente no in\u00edcio da cadeia de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que leva ao c\u00e2ncer colorretal, um &#8220;primeiro acerto&#8221; nesse gene durante a inf\u00e2ncia pode dar ao organismo d\u00e9cadas de vantagem no desenvolvimento tumoral, e resultar em c\u00e2ncer em idades muito mais jovens.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-w07fp\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-w07fp \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-w07fp button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-w07fp\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">Varia\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas: por que alguns pa\u00edses t\u00eam mais casos?<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo revelou tamb\u00e9m que as assinaturas de colibactina s\u00e3o mais prevalentes em pa\u00edses com <strong>maiores taxas de incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal<\/strong>; e especialmente em pa\u00edses com maior incid\u00eancia de c\u00e2ncer colorretal de in\u00edcio precoce. Essa correla\u00e7\u00e3o foi estatisticamente significativa e independente de outros fatores analisados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pa\u00edses estudados foram divididos entre aqueles com incid\u00eancia intermedi\u00e1ria, incluindo <strong>Brasil, Col\u00f4mbia, Ir\u00e3 e Tail\u00e2ndia<\/strong>; e pa\u00edses de alta incid\u00eancia, como Argentina, Canad\u00e1, R\u00fassia, S\u00e9rvia, Rep\u00fablica Tcheca, Pol\u00f4nia e Jap\u00e3o (com a maior taxa de incid\u00eancia padronizada por idade do grupo, de 37 por 100.000 habitantes).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que torna esse dado especialmente relevante para n\u00f3s, no Brasil, \u00e9 que nosso pa\u00eds integrou a coorte do estudo. Isso significa que as descobertas t\u00eam aplicabilidade direta para o contexto cl\u00ednico e epidemiol\u00f3gico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a entre pa\u00edses provavelmente n\u00e3o reflete gen\u00e9tica, mas sim <strong>exposi\u00e7\u00f5es ambientais e comportamentais<\/strong>, incluindo dieta, uso de antibi\u00f3ticos na inf\u00e2ncia, tipo de parto (cesariana versus vaginal), aleitamento materno e predomin\u00e2ncia de determinadas cepas bacterianas em diferentes contextos culturais e socioecon\u00f4micos.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-qk7f9\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-qk7f9 \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-qk7f9 button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-qk7f9\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">A perspectiva da microbiota: um campo em expans\u00e3o<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como m\u00e9dica com foco em sa\u00fade intestinal e microbiota, esses resultados s\u00e3o ao mesmo tempo impressionantes e profundamente motivadores. Eles refor\u00e7am o que a ci\u00eancia vem demonstrando de forma crescente: o microbioma intestinal n\u00e3o \u00e9 apenas um coadjuvante na sa\u00fade digestiva. Ele \u00e9 um ator central na carcinog\u00eanese colorretal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ideia de que bact\u00e9rias que colonizam o intestino de uma crian\u00e7a pode deixar marcas gen\u00e9ticas que culminam em c\u00e2ncer d\u00e9cadas mais tarde tem implica\u00e7\u00f5es enormes para:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o:<\/strong> Se a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 colibactina ocorre na inf\u00e2ncia, estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o precisam contemplar os primeiros anos de vida, incluindo o cuidado com o tipo de parto, aleitamento materno, uso criterioso de antibi\u00f3ticos na inf\u00e2ncia e dieta nos primeiros anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Diagn\u00f3stico precoce:<\/strong> Alexandrov e sua equipe j\u00e1 trabalham no desenvolvimento de um <strong>teste de fezes capaz de identificar as muta\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 colibactina<\/strong>. Se positivo, esse teste poderia indicar a necessidade de iniciar o rastreamento muito antes \u2014 j\u00e1 a partir dos 20 anos, em vez dos 45 \u2014 para pessoas com alta carga de muta\u00e7\u00f5es por colibactina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Probi\u00f3ticos terap\u00eauticos:<\/strong> A Dra. Cynthia Sears, da Universidade Johns Hopkins, coautora do artigo original e uma das maiores especialistas mundiais em microbioma e c\u00e2ncer colorretal, prop\u00f5e que probi\u00f3ticos espec\u00edficos, capazes de competir com as bact\u00e9rias produtoras de colibactina e desloc\u00e1-las do ecossistema intestinal, poderiam representar uma estrat\u00e9gia preventiva futura. A pesquisa nessa \u00e1rea ainda est\u00e1 em est\u00e1gios iniciais, mas \u00e9 uma das dire\u00e7\u00f5es mais promissoras.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-on1nd\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-on1nd \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-on1nd button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-on1nd\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">O que fazer agora? A vis\u00e3o cl\u00ednica<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 fundamental, por\u00e9m, interpretar esses dados com responsabilidade e equil\u00edbrio. O pr\u00f3prio Alexandrov reconhece que o estudo demonstra uma <strong>forte associa\u00e7\u00e3o<\/strong> entre exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 colibactina na inf\u00e2ncia e c\u00e2ncer colorretal precoce, mas ainda n\u00e3o estabelece causalidade definitiva. Estudos longitudinais prospectivos s\u00e3o necess\u00e1rios para confirmar essa rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, como ressalta a Dra. Sears, a colibactina provavelmente n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico fator por tr\u00e1s do aumento do c\u00e2ncer colorretal em jovens. \u00c9 mais um elo importante em uma cadeia complexa que envolve dieta, sedentarismo, <a href=\"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/nova-definition-de-obesidade-clinica\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/wakenclinica.com.br\/nova-definition-de-obesidade-clinica\/\">obesidade<\/a>, disbiose intestinal, fatores gen\u00e9ticos e muito mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que isso significa na pr\u00e1tica cl\u00ednica? Enquanto as ferramentas diagn\u00f3sticas espec\u00edficas para colibactina ainda est\u00e3o em desenvolvimento, o que podemos fazer agora \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Manter ou iniciar o <strong>rastreamento colorretal a partir dos 45 anos<\/strong> para a popula\u00e7\u00e3o de risco m\u00e9dio; e antes disso para quem tem hist\u00f3rico familiar, doen\u00e7a inflamat\u00f3ria intestinal ou outros fatores de risco. Reconhecer que <strong>sintomas como sangramento retal, altera\u00e7\u00e3o persistente do h\u00e1bito intestinal, dor abdominal e perda de peso sem causa aparente<\/strong> merecem investiga\u00e7\u00e3o imediata, independentemente da idade do paciente. Adotar e orientar <strong><a href=\"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/microbiota-intestinal-o-que-e-e-como-influencia-a-saude\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/wakenclinica.com.br\/microbiota-intestinal-o-que-e-e-como-influencia-a-saude\/\">h\u00e1bitos que favorecem a sa\u00fade do microbioma intestinal<\/a><\/strong>: dieta mediterr\u00e2nea, rica em fibras e vegetais, redu\u00e7\u00e3o de carnes processadas e a\u00e7\u00facar refinado, atividade f\u00edsica regular, sono de qualidade e uso criterioso de antibi\u00f3ticos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nunca subestimar queixas digestivas persistentes em pacientes jovens. \u00c9 justamente nessa faixa et\u00e1ria que o diagn\u00f3stico mais demora; e onde o impacto de uma detec\u00e7\u00e3o tardia \u00e9 mais devastador.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-rbtas\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-rbtas \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-rbtas button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-rbtas\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">Perguntas Frequentes (FAQ)<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A colibactina \u00e9 perigosa para todas as pessoas que a t\u00eam no intestino?<\/strong> N\u00e3o necessariamente. Estima-se que 20 a 30% da popula\u00e7\u00e3o carregue bact\u00e9rias produtoras de colibactina no microbioma intestinal, mas a maioria n\u00e3o desenvolve c\u00e2ncer. Outros fatores \u2014 gen\u00e9ticos, ambientais, diet\u00e9ticos e imunol\u00f3gicos \u2014 provavelmente determinam quem tem maior risco de progress\u00e3o para c\u00e2ncer colorretal a partir dessa exposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Existe algum exame que detecta colibactina ou as muta\u00e7\u00f5es que ela causa?<\/strong> Ainda n\u00e3o de forma padronizada e clinicamente dispon\u00edvel. O grupo do professor Alexandrov est\u00e1 desenvolvendo um teste de fezes baseado nas assinaturas mutacionais da colibactina. Por ora, o rastreamento colorretal convencional (colonoscopia, testes de DNA fecal) continua sendo o padr\u00e3o de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Meu filho est\u00e1 em risco? Devo me preocupar?<\/strong> Por ora, n\u00e3o h\u00e1 como identificar quais crian\u00e7as foram expostas \u00e0 colibactina de forma mutag\u00eanica. O que sabemos \u00e9 que h\u00e1bitos saud\u00e1veis desde a inf\u00e2ncia, como aleitamento materno, dieta variada e rica em fibras, e uso criterioso de antibi\u00f3ticos, favorecem um microbioma saud\u00e1vel. Adultos com hist\u00f3rico familiar de c\u00e2ncer colorretal devem discutir o in\u00edcio precoce do rastreamento com seu coloproctologista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>A dieta ocidental realmente aumenta o risco?<\/strong> As evid\u00eancias apontam que sim. Dietas ricas em carnes processadas, a\u00e7\u00facar refinado e pobres em fibras est\u00e3o associadas a maior risco de c\u00e2ncer colorretal e podem criar um ambiente intestinal que favorece a prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias produtoras de colibactina.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-essential-blocks-advanced-heading  root-eb-advance-heading-10rbf\"><div class=\"eb-parent-wrapper eb-parent-eb-advance-heading-10rbf \"><div class=\"eb-advance-heading-wrapper eb-advance-heading-10rbf button-1 undefined\" data-id=\"eb-advance-heading-10rbf\"><h2 class=\"eb-ah-title\"><span class=\"first-title\">Conclus\u00e3o: uma descoberta que muda o olhar sobre a preven\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2><\/div><\/div><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo publicado na <em>Nature<\/em> em 2025 representa um avan\u00e7o genu\u00edno na compreens\u00e3o dos mecanismos que est\u00e3o por tr\u00e1s do aumento do c\u00e2ncer colorretal em adultos jovens. A ideia de que bact\u00e9rias intestinais presentes na inf\u00e2ncia podem &#8220;programar&#8221; o DNA do c\u00f3lon d\u00e9cadas antes do desenvolvimento do tumor \u00e9 ao mesmo tempo revolucion\u00e1ria e inquietante, mas tamb\u00e9m abre janelas de oportunidade para preven\u00e7\u00e3o, diagn\u00f3stico precoce e novas interven\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Waken Cl\u00ednica, a sa\u00fade do microbioma intestinal \u00e9 abordada de forma integrada, com avalia\u00e7\u00e3o coloproctol\u00f3gica especializada, suporte nutricional e acompanhamento multidisciplinar. Se voc\u00ea tem hist\u00f3rico familiar de c\u00e2ncer colorretal, apresenta sintomas digestivos persistentes ou simplesmente quer cuidar da sua sa\u00fade intestinal com base na ci\u00eancia mais atual, agende uma consulta. O diagn\u00f3stico precoce continua sendo a ferramenta mais poderosa que temos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>D\u00edaz-Gay M, dos Santos W, Moody S, et al. Geographic and age variations in mutational processes in colorectal cancer. <em>Nature.<\/em> 2025;643:230\u2013240. doi:10.1038\/s41586-025-09025-8<\/li>\n\n\n\n<li>Hrustic A. Colon cancer is rising in young people. Finally, scientists have a clue about why. <em>National Geographic.<\/em> 16 mai. 2025. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.nationalgeographic.com\/health\/article\/gut-toxins-colon-cancer-early-diagnosis<\/li>\n\n\n\n<li>Pleguezuelos-Manzano C, Puschhof J, Rosendahl Huber A, et al. Mutational signature in colorectal cancer caused by genotoxic pks+ E. coli. <em>Nature.<\/em> 2020;580:269\u2013273. doi:10.1038\/s41586-020-2080-8<\/li>\n\n\n\n<li>Lee-Six H, Olafsson S, Ellis P, et al. The landscape of somatic mutation in normal colorectal epithelial cells. <em>Nature.<\/em> 2019;574:532\u2013537. doi:10.1038\/s41586-019-1672-7<\/li>\n\n\n\n<li>Patel SG, Karlitz JJ, Yen T, Lieu CH, Boland CR. The rising tide of early-onset colorectal cancer: a comprehensive review of epidemiology, clinical features, biology, risk factors, prevention, and early detection. <em>Lancet Gastroenterol Hepatol.<\/em> 2022;7:262\u2013274.<\/li>\n\n\n\n<li>Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA). C\u00e2ncer de c\u00f3lon e reto: dados e n\u00fameros. Rio de Janeiro: INCA; 2023. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.inca.gov.br\/tipos-de-cancer\/cancer-de-intestino<\/li>\n\n\n\n<li>Siegel RL, Jemal A, Ward EM. Increase in incidence of colorectal cancer among young men and women in the United States. <em>Cancer Epidemiol Biomarkers Prev.<\/em> 2009;18:1695\u20131698. doi:10.1158\/1055-9965.EPI-09-0186<\/li>\n<\/ol>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Este artigo tem car\u00e1ter educativo e informativo. N\u00e3o substitui a consulta m\u00e9dica individualizada. Em caso de d\u00favidas sobre rastreamento do c\u00e2ncer colorretal ou sa\u00fade intestinal, consulte um especialista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Waken Cl\u00ednica<\/strong> \u2014 Coloproctologia | Cirurgia Digestiva | Oncologia Cir\u00fargica | Oncologia Cl\u00ednica \/ Ginecologia Geral \/ Ginecologia End\u00f3crina | Nutrologia \/ Nutri\u00e7\u00e3o<br>S\u00e3o Paulo, SP | <a href=\"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/\">blog-viu.local\/<\/a> Entre em <strong><a href=\"https:\/\/api.whatsapp.com\/send\/?phone=5511996002620&amp;text=Ol%C3%A1%2C+estava+navegando+no+site+da+Cl%C3%ADnica+Waken+e+gostaria+de+agendar+uma+consulta.&amp;type=phone_number&amp;app_absent=0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">contato<\/a><\/strong> conosco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das perguntas que mais me inquietam como Coloproctologista, e que tamb\u00e9m preocupa crescentemente a comunidade cient\u00edfica global, \u00e9: por que o c\u00e2ncer colorretal est\u00e1&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":6608,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[77,75,54],"tags":[],"class_list":["post-6607","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-coloproctologia","category-oncologia","category-saude-digestiva"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6607","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6607"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6607\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6688,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6607\/revisions\/6688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6608"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6607"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6607"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wakenclinica.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6607"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}