Perimenopausa: o que é e quais os principais sintomas dessa fase

Muitas mulheres começam a perceber mudanças no corpo por volta dos 40 anos. Alterações no ciclo menstrual, dificuldade para dormir, ganho de peso inexplicável, oscilações de humor e queda de energia tornam-se mais frequentes. Com frequência, escutam que é “normal da idade”. No entanto, esses sintomas podem marcar o início da perimenopausa. A perimenopausa é uma fase de transição hormonal que antecede a menopausa e pode durar vários anos. Embora seja um processo fisiológico, isso não significa que precise ser vivido com sofrimento ou perda significativa de qualidade de vida. Neste artigo, explico o que é a perimenopausa, quais sintomas podem surgir, como ela impacta o metabolismo e o intestino e quando é importante buscar avaliação médica. O que é perimenopausa? A perimenopausa é o período de transição que antecede a menopausa, caracterizado por oscilações hormonais progressivas, principalmente na produção de estrogênio e progesterona pelos ovários. A menopausa é definida retrospectivamente após 12 meses consecutivos sem menstruação. Já a perimenopausa pode começar entre 4 e 10 anos antes da última menstruação. Nesse período, os ciclos podem se tornar: É importante destacar que os sintomas podem surgir mesmo antes de alterações menstruais evidentes. O que acontece hormonalmente nessa fase? A perimenopausa não é marcada por queda linear dos hormônios, mas por oscilações importantes e imprevisíveis. Podem ocorrer: Essas mudanças afetam múltiplos sistemas do organismo, incluindo: A intensidade e a combinação dos sintomas variam de mulher para mulher. Principais sintomas da perimenopausa 1. Irregularidade menstrual É um dos primeiros sinais. O ciclo pode se tornar imprevisível, com atrasos, encurtamentos, fluxo mais intenso ou escapes intermenstruais. 2. Ondas de calor Também chamadas de fogachos, são episódios súbitos de calor intenso, acompanhados de sudorese e, às vezes, palpitações. Podem ocorrer durante o dia ou à noite, prejudicando o sono. 3. Alterações do sono Insônia, sono fragmentado ou dificuldade para manter o sono são queixas frequentes. A privação crônica do sono pode agravar: 4. Oscilações de humor Ansiedade, irritabilidade, labilidade emocional e sintomas depressivos podem surgir nessa fase. As flutuações hormonais impactam neurotransmissores como serotonina e dopamina. 5. Ganho de peso e mudança na composição corporal Mesmo sem mudança significativa na alimentação, muitas mulheres relatam: A queda progressiva do estrogênio influencia a redistribuição da gordura corporal e a sensibilidade à insulina. 6. Alterações digestivas Durante a perimenopausa pode haver piora de sintomas como: A interação entre hormônios e microbiota intestinal, chamada de estroboloma, pode influenciar tanto o metabolismo do estrogênio quanto sintomas digestivos. A Síndrome do Intestino Irritável pode se intensificar nessa fase, especialmente em mulheres com predisposição. 7. Queda de libido e ressecamento vaginal A redução de estrogênio pode afetar a lubrificação vaginal e o desejo sexual, impactando a qualidade de vida e a autoestima. 8. Alterações cognitivas leves Muitas mulheres relatam: Embora geralmente transitórios, esses sintomas podem gerar insegurança. Perimenopausa é doença? Não. Trata-se de uma fase fisiológica da vida feminina. No entanto, os sintomas podem impactar significativamente o bem-estar físico, emocional e metabólico. Um erro comum é normalizar o sofrimento e não buscar orientação adequada. Perimenopausa e risco metabólico A redução progressiva do estrogênio está associada a: Essa fase exige atenção especial à saúde metabólica. A prevenção torna-se estratégica. Perimenopausa e saúde intestinal A relação entre hormônios e microbiota intestinal tem sido cada vez mais estudada. O chamado estroboloma é o conjunto de bactérias capazes de metabolizar estrogênios. Desequilíbrios na microbiota podem: Além disso, a constipação pode se tornar mais frequente nessa fase. A saúde intestinal passa a ser um pilar importante da abordagem global. Quando buscar avaliação médica? É recomendável procurar avaliação especializada se houver: Também é importante manter rastreamento adequado para condições como câncer colorretal, cuja incidência aumenta após os 45 anos. A perimenopausa é um momento estratégico para prevenção. Existe tratamento? O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do perfil clínico da paciente. Pode envolver: Cada mulher vivencia a perimenopausa de forma única. Não existe protocolo universal. Perguntas Frequentes 1. Com que idade começa a perimenopausa?Geralmente entre 40 e 45 anos, mas pode variar. 2. É possível estar na perimenopausa mesmo menstruando?Sim. A presença de menstruação não exclui a transição hormonal. 3. Perimenopausa causa ganho de peso?Pode contribuir, especialmente por alterações hormonais e metabólicas. 4. Todos os sintomas exigem reposição hormonal?Não. A indicação é individualizada e depende de avaliação médica. 5. A perimenopausa afeta o intestino?Pode influenciar o trânsito intestinal e a microbiota, impactando sintomas digestivos. Conclusão A perimenopausa é uma fase de transição hormonal que pode trazer mudanças significativas físicas, emocionais e metabólicas. Não é uma doença, mas também não precisa ser vivida com sofrimento silencioso. Com avaliação adequada, é possível: Avaliação individualizada faz diferença Na Waken Clínica, a abordagem da perimenopausa considera não apenas hormônios, mas também metabolismo, composição corporal, saúde intestinal e qualidade de vida. Cada fase da vida feminina merece atenção estratégica. Se você percebe mudanças no seu corpo e deseja compreender o que está acontecendo de forma técnica, ética e personalizada, agende sua consulta. Prevenir é sempre mais inteligente do que remediar. Referências Científicas
Microbiota intestinal: como ela influencia sua digestão e imunidade

Nos últimos anos, a microbiota intestinal deixou de ser um tema restrito à pesquisa científica e passou a ocupar o centro das discussões sobre saúde digestiva, imunidade e equilíbrio metabólico. Mas afinal, o que é a microbiota intestinal?E por que ela pode influenciar tanto a digestão quanto a resposta imunológica? A ciência já demonstra que o intestino não é apenas um órgão digestivo. Ele atua como um verdadeiro centro regulador do organismo, e a qualidade da microbiota exerce papel decisivo nesse processo. Neste artigo, explico de forma clara e baseada em evidências científicas como a microbiota atua, o que pode desequilibrá-la e quando é necessário buscar avaliação especializada. O que é microbiota intestinal? A microbiota intestinal é o conjunto de trilhões de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal, principalmente o cólon. Inclui: Durante muito tempo utilizou-se o termo “flora intestinal”, mas hoje sabemos que não se trata de plantas, e sim de um ecossistema complexo e altamente dinâmico. Cada pessoa possui uma composição única de microbiota, influenciada por: Esse conjunto de microrganismos não é invasor. Pelo contrário, desempenha funções essenciais para a saúde. Microbiota e digestão: qual é a relação? A digestão não depende apenas do ácido gástrico e das enzimas pancreáticas. Grande parte da fermentação e do aproveitamento de nutrientes ocorre graças à ação das bactérias intestinais. A microbiota participa de diferentes processos: 1. Fermentação de fibras Fibras alimentares não digeríveis são fermentadas pelas bactérias do cólon, produzindo ácidos graxos de cadeia curta, como: Esses compostos: O butirato, em especial, é fundamental para a saúde do cólon. 2. Regulação da motilidade intestinal Uma microbiota equilibrada contribui para um trânsito intestinal adequado. Desequilíbrios podem estar associados tanto à constipação quanto à diarreia, como ocorre na Síndrome do Intestino Irritável. 3. Digestão de carboidratos complexos Alguns carboidratos fermentáveis, conhecidos como FODMAPs, dependem da microbiota para metabolização. Quando há desequilíbrio, pode ocorrer excesso de fermentação, levando a: Microbiota e imunidade: conexão direta Cerca de 70% das células do sistema imunológico estão associadas ao trato gastrointestinal. O intestino é a maior interface entre o organismo e o meio externo. Tudo o que ingerimos passa por ele. A microbiota saudável exerce papel essencial em diferentes mecanismos: 1. Treinamento do sistema imune Desde a infância, o contato com microrganismos auxilia o sistema imunológico a distinguir entre: Desequilíbrios precoces podem aumentar o risco de doenças autoimunes e alergias. 2. Proteção contra patógenos Uma microbiota equilibrada compete por espaço e nutrientes com microrganismos potencialmente nocivos, dificultando sua proliferação. Esse mecanismo é chamado de resistência à colonização. 3. Controle da inflamação sistêmica Alterações na microbiota podem aumentar a permeabilidade intestinal, fenômeno conhecido como leaky gut. Isso permite a passagem de endotoxinas bacterianas para a circulação, contribuindo para inflamação sistêmica de baixo grau. Esse processo tem sido associado a: O que causa desequilíbrio da microbiota, disbiose? A disbiose é o desequilíbrio qualitativo ou quantitativo da microbiota. Pode ser causada por: A disbiose pode se manifestar com: Microbiota e doenças digestivas A literatura científica demonstra associação entre alterações da microbiota e diversas condições, incluindo: Embora nem sempre seja a causa única, a microbiota frequentemente participa da fisiopatologia dessas condições. Microbiota e prevenção do câncer colorretal O equilíbrio da microbiota também parece influenciar o risco de desenvolvimento de tumores colorretais. Alterações na produção de metabólitos bacterianos podem impactar a integridade da mucosa e o ambiente inflamatório local. O câncer colorretal é multifatorial, mas a qualidade da dieta e o equilíbrio microbiano exercem papel relevante na prevenção. Probióticos resolvem tudo? Não. Probióticos são cepas específicas de microrganismos que, quando administradas em quantidade adequada, podem trazer benefícios. No entanto: A escolha deve ser individualizada e baseada na condição clínica. Como avaliar a saúde da microbiota? Não existe um único exame padrão ouro que determine microbiota saudável. A avaliação envolve: O tratamento não deve se basear apenas em modulação empírica, mas na compreensão do contexto clínico global. Como melhorar a microbiota de forma segura? As principais estratégias incluem: Em alguns casos, pode ser indicada: Cada paciente exige abordagem personalizada. Quando buscar avaliação médica? Considere procurar avaliação especializada se houver: A microbiota não deve ser tratada com fórmulas prontas ou modismos. É necessário compreender o contexto biológico individual. Perguntas Frequentes 1. O que é disbiose intestinal?É o desequilíbrio da microbiota intestinal, podendo envolver redução de bactérias benéficas ou aumento de microrganismos potencialmente prejudiciais. 2. Todo mundo precisa tomar probiótico?Não. A indicação depende do quadro clínico. 3. Microbiota influencia a imunidade?Sim. Grande parte do sistema imunológico está associada ao intestino. 4. Microbiota pode influenciar o ganho de peso?Alterações na composição bacteriana podem impactar o metabolismo energético e a inflamação, influenciando o peso corporal. 5. É possível restaurar a microbiota?Em muitos casos, sim, com estratégias adequadas e individualizadas. Conclusão A microbiota intestinal não é um detalhe da saúde digestiva. Ela é um dos pilares da digestão eficiente, da integridade intestinal e da regulação imunológica. Desequilíbrios podem impactar não apenas o intestino, mas todo o organismo. Se você apresenta sintomas persistentes ou já tentou diversas abordagens sem melhora consistente, talvez o próximo passo não seja mais um suplemento, mas uma avaliação especializada. Avaliação personalizada faz diferença Na Waken Clínica, a investigação da saúde intestinal é realizada de forma integrada, considerando microbiota, alimentação, metabolismo e sintomas individuais. Modular a microbiota exige estratégia e acompanhamento adequado. Agende sua consulta e compreenda como seu intestino pode estar influenciando sua digestão e sua imunidade. Referências Científicas

